Sou uma cantante. Tenho a sensação de ter nascido assim . Desde muito pequena , lembro de mim cantarolando alguma música. Sigo a vida desta forma , cantando sempre cantando , no transito , no chuveiro , cozinhando e nos lugares mais inusitados . As vezes , canto também depois de fazer amor , e aí , pobres ouvidos da pessoa que está comigo . Se a criatura for romântica e tiver adorado a minha performance , tudo bem , caso contrário vai me achar patética .
As mulheres da minha família também gostavam de cantar , Inclusive a minha mãe, mas eu superei a todas . Lembro de canções de Vicente Celestino , cantadas pela minha avó materna , quando eu ainda era muito pequena e hoje sem me esforçar , as vezes elas me vêm a memória e eu me pego cantando , com tal nitidez que parece que a letra foi aprendida recentemente.
Entre tantas músicas lindas , de tempos em tempos , começo a cantarolar por dias a fio , a mesma música , que escutei pela primeira vez, num disco de vinil , num momento em que vivia uma paixão que não era correspondida com a mesma intensidade .
Depois desta , vieram outras tantas paixões … Todas mal vividas, sofridas ~e algumas não correspondidas . Mas a esperança de viver um grande amor esteve sempre presente , apesar das desilusões .
Então , quando sinto saudade daquilo que não vivi ,mas que acredito que ainda vou viver , me ponho a cantar Betânia , quase como num lamento e quem sabe até com um pouco de pena de mim mesma, sai da garganta uma voz trêmula , mais parecendo um gemido de dor , pelo amor tão sonhado e não alcançado .
Tô com saudade de tu meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu
É tão dificil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz
Não desisto nunca , um dia ainda vivo um amor assim .
Escrito por terapiadapalavra 

Minha alma é água,