andiara

junho 26, 2009

Sou uma cantante. Tenho a sensação de ter nascido assim . Desde muito pequena , lembro de mim cantarolando alguma música. Sigo a vida desta forma , cantando sempre cantando , no transito , no chuveiro , cozinhando e nos lugares mais inusitados . As vezes , canto também depois de fazer amor , e aí , pobres ouvidos da pessoa que está comigo . Se a criatura for romântica e tiver adorado a minha performance , tudo bem , caso contrário vai me achar patética .

As mulheres da minha família também gostavam de cantar , Inclusive a minha mãe, mas eu superei a todas . Lembro de canções de Vicente Celestino , cantadas pela minha avó materna , quando eu ainda era muito pequena e hoje sem me esforçar , as vezes elas me vêm a memória e eu me pego cantando , com tal nitidez que parece que a letra foi aprendida recentemente.

Entre tantas músicas lindas , de tempos em tempos , começo a cantarolar por dias a fio , a mesma música , que escutei pela primeira vez, num disco de vinil , num momento em que vivia uma paixão que não era correspondida com a mesma intensidade .

Depois desta , vieram outras tantas paixões … Todas mal vividas, sofridas ~e algumas não correspondidas . Mas a esperança de viver um grande amor esteve sempre presente , apesar das desilusões .

Então , quando sinto saudade daquilo que não vivi ,mas que acredito que ainda vou viver , me ponho a cantar Betânia , quase como num lamento e quem sabe até com um pouco de pena de mim mesma, sai da garganta uma voz trêmula , mais parecendo um gemido de dor , pelo amor tão sonhado e não alcançado .

Tô com saudade de tu meu desejo

Tô com saudade do beijo e do mel

Do teu olhar carinhoso

Do teu abraço gostoso

De passear no teu céu

É tão dificil ficar sem você

O teu amor é gostoso demais

Teu cheiro me dá prazer

Quando estou com você

Estou nos braços da paz

Não desisto nunca , um dia ainda vivo um amor assim .


joana

junho 25, 2009

Espero que você esteja assistindo

Você foi embora muito antes de eu poder lhe dizer qualquer coisa. Muito antes de eu saber que teria algo a dizer. Um pouco antes de eu saber quem eu era. E o quanto você fez de mim quem eu sou.
Na infância, as mãos dadas e o chapéu azul que eu herdei, me mostravam o caminho do mar e do sol, que tantas vezes eu pus para dormir.

De pequena, criou o hábito que virou vicio. Gravava os filmes que passavam fora do meu horário de tv. Sessão da tarde era hora do dever. Tela Quente era hora de dormir. E íamos, eu e meu irmão, acumulando uma caixa marrom de papelão, cheia de vhs amarelados.

Todo final de semana, sentávamos juntos e assistíamos tantas vezes que decorávamos as falas. Eu gostava dos Goonies. Rodrigo preferia Scaramouche. Você curtia a trilogia do Eddie Murphy: O rapto do menino dourado, Um príncipe em NY, Um tira da pesada. Achava ”aquele crioulinho muito gozado”.

Meu avozinho querido. Você nunca ficou sabendo que esse hábito viraria a minha maior paixão, meu salário, meu ganha pão. Você foi embora muito cedo. Sofrendo diante dos meus olhos. Arfando.

Foi.

Ficaram muitas saudades.

E marcas indeléveis em mim.


louise

junho 23, 2009

“Tem pessoas tão chatas que fazem a gente perder um dia em cinco minutos.”

Foi essa a citação mais equivocada que eu escolhi para estampar um ímã de geladeira, que graças ao bom senso eu desisti de dar de presente a você.

Eu devia ter uns 17 anos quando encontrei essa mensagem no meio de tantos outros itens do sebo do antigo Espaço Unibanco, meu point de vestibulanda aos domingos. Juro que na hora pensei que o autor estava sendo irônico ao chamar de “chato” alguém capaz de fazer o tempo passar tão rápido. Alguns anos depois, revirando uma caixa de recordações, encontrei o envelopinho pardo e só pude rir com a frase que eu nunca diria a alguém tão agradável.

Bem, agradável não é a melhor palavra para descrever essa espécie de amigo que pontuou a minha adolescência. Eu o conheci por acaso, me aproximei ainda por acaso, motivo também pelo qual o apresentei para uma grande amiga e seu então primeiro amor, acredito. Longe de querer desenhar um triângulo, mantive apenas inevitáveis diálogos virtuais que me trouxeram a primeira visão masculina da vida a ser compartilhada comigo.

Por que uma relação construída de conversas de botequim merece um texto? Talvez combinasse mais com uma música, se eu pudesse roubar a melodia de Crush, do Dave Matthews Band. Porque foi a primeira de muitas composições quase melancólicas que não me trouxeram tristeza, mas uma introspecção engrandecedora.

Dizem que o primeiro amor a gente nunca esquece, mas eu até gostaria de esquecer um tanto do meu. Já o primeiro a me confessar sentimentos, transparecendo sua insegurança e reconhecendo a minha, esse que não foi amor mas me fez sentir amável, esse eu não preciso esquecer. Quero guardá-lo com um carinho infantil no lado doce da memória, e poder relembrar os tempos de olhares envergonhados, frente a frente ou quando recebo notícias suas da Polônia.

Do meu grande quase amigo eu aceito, ainda que receosa, o convite para a mesa de bar, aquela que vem sendo adiada por nós há tanto tempo e que talvez nunca chegue a ser devidamente ocupada.


christiane

junho 23, 2009

Querida Norah,

É a segunda vez que escrevo sobre você e para você. Mulher forte de encantos esplêndidos.

As saudades de você não cessam, guerreira incansável que a vida sofrida fez.

Lembro-me de nossa rotina, em que a via vestir a armadura para enfrentar a implacável luta do dia a dia.

Por debaixo da armadura, ternura e doçura, combinada à beleza de fartas e lindas curvas.

Pergunto-me por que os deuses foram impiedosos e a levaram um dia antes de você me ver mãe. Confesso que o tempo foi caprichoso e não vivi seu luto, apenas uma rápida e explosiva dor.

Graças a você hoje danço, escrevo, vou à luta, sou mãe, esposa e dona-de-casa.

Agora você me visita em sonhos, mas não consigo beber suas palavras. No dia seguinte, apenas desbotadas imagens.

Tento encontrá-la em pensamento, mas sem sucesso. Onde agora habita sua linda e branca alma?

Saudade é dor que não sara. Por isso venha, me visite em sonhos! Estarei te esperando.

Beijos da sua neta.

Titi


marinette = sinapse 2

junho 22, 2009

Mudei de idéia.
Texto quase pronto, ou melhor, no meio do caminho.
Não gostei do que estava escrevendo.
Ia demorar muito se fosse elaborar novamente.
Isto é muito comum quando me falta idéia ou quando tento enveredar por mares nunca dantes navegados.
Descarto.
Agora, resta-me pouco tempo para discorrer sobre as impressões que uma foto me provoca.
Mas vamos lá. Coragem.
Papel, ou melhor, tela em branco diante de mim e uma ligeira agonia para que surja, rapidamente, uma inspiração qualquer.
Foi hoje à tarde que decidi mudar, quando percebi que minha criação não transmitiria a emoções necessárias ao que queria dizer. Ia ficar mal acabado e superficial.
Pensei, inicialmente, em reescrevê-lo, como sempre faço com os outros, mas vi que não adiantaria
Vim, então, disposta, se possível, a abordar outro tema, mas achei melhor confessar: não deu.
A inspiração é assim. Não vem quando a gente quer.É como beijar sem vontade. Não fica bom.
Blá, blá, blá , blá, blá,blá…
E a foto?
Acho que na verdade ela não me inspirou, me incomodou.
Uma “barraca de camping” iluminada, perdida no meio da neve e no escuro.
De início, atribuí àquela imagem algumas expressões:
Isolamento, introspecção, luz interior, momento único, oásis, questionamento, silêncio, plenitude, fragilidade no caminho.
De todas essas que saltava para mim era SILÊNCIO.
Refletir sob a própria luz é o meu momento.
Então, como falar sobre o silêncio?
Calo.
Aquela imagem revelava ainda duas interpretações contraditórias, opostas:
Alento para quem está perdido ou auto-suficiência completa.
Na primeira, após caminhar por horas na escuridão, faminto, ofegante, com frio, deparar-se com uma luzinha tênue no meio do nada, não seria consolador?
Na segunda, querer isolar-se, enfrentando as adversidades do tempo, o incerto, a escassez de recursos, não significaria o mais puro arrojo e desprendimento?
Por mais que a neve nos remeta a uma sensação de paz e aconchego, aquela situação está longe de ser vivenciada desta forma. De qualquer jeito está implícito algum tipo de solidão.
O branco da neve, o branco do papel, o branco da inspiração.


louise = sinapse

junho 22, 2009

Náufrago

Impresso aqui
eu deixo contigo
amor não vivido,
o livro em branco,
filho que esperei

Meu tempo acabou
Meus olhos estão
onde não há luz
Mas o que eu senti
brilhará aos teus

E da minha paz
desfruta, meu bem
Vibra de alegriahuge.46.232906
Como um náufrago
que retorna à terra

Devolve meu corpo
ao mar que o carregue
Para que minha alma
encontre um abrigo
entre os oceanos

Dispara um sorriso
para o horizonte,
que minha paixão
a dou de presente
na tua jornada

Derrama uma lágrima
Comigo, eterniza
a dor e seus frutos,
o brilho do novo,
saudade do amor.


andiara = livro

junho 17, 2009

Era o ano de 1992 . Eu me encontrava inquieta e insatisfeita com a vida que eu estava levando e todo mundo falando do sucesso do livro ” O Alquimista ” de Paulo Coelho.Então , resolvi comprá-lo e ver afinal , o que o tal livro falava que encantava a tantas pessoas . E o dito cujo caíu como uma luva naquele meu momento de vida .

O livro começa falando de um rapaz , Santiago , que é pastor de ovelhas. Numa noite , ele sonha com um tesouro que está escondido nas Pirâmides do Egito e então decide sair para uma jornada em busca deste sonho.

Conhece pessoas das mais diversas culturas, raças , crenças e índoles.Algumas amizades que ele faz o ajudam a seguir seu caminho rumo à sua Lenda Pessoal (sua meta de vida). O último a o ajudar é um alquimista do deserto que o leva até as pirâmides.

Quando no seu destino, descobre que o seu tesouro está lá onde ele dormia com suas ovelhas, ou seja ,de onde ele veio . Então volta para sua terra ,acha o seu tesouro e se casa com a mulher de sua vida.

No momento em que abri o livro e comecei a lê-lo, me apaixonei desde os primeiros paragrafos. Me senti hipnotizada por ele. Era como se tivesse sido feito para mim naquele momento. Eu ansiava por quebrar velhos paradigamas, desfiar regras postas como Inquestionáveis . Queria ir além dos meus limites e descobrir verdades escondidas além de mim mesma .

Dentro de mim havia uma necessidade urgente de me reciclar , passando por um verdadeiro processo de aperfeiçoamento, onde se fazia necessário romper com muitas coisas. Eu me sentia meio Alquimista .
O protagonista da história , um belo dia coloca as ovelhas ao sol e começa a se questionar a respeito da vida das mesmas , que nunca precisam tomar decisões e que ficavam contentes com água e alimento , e isto bastava . Me via um pouco como as ovelhas , naquela época . Estava parada , estaganada , conformada e ao mesmo tempo tinha uns repentes de inquietude , aflição e desespero por me sentir assim . Desejava fazer ” Alquimia ” com a minha vida .

O protagonista da história queria viajar muito e conhecer muitos lugares e eu também. Ele estava questionando a vida que levava e eu também. Queria encontrar seu tesouro, eu também. Ansiava por descobertas , eu também.

Parece mediocrezinho , né ?
Simplinho demais , talvez ?
Mas para mim , ao contrário , era bastante complexo e desafiador . Eu queria tantas coisas ao mesmo tempo… Sabia que precisava mudar , mas tinha medos , muitos medos.

Depois do Alquimista , entendi que o universo conspira quando você deseja muito algo.
Não quis mais a minha vida de ovelha.
Compreendi que a vida é simples e complexa ao mesmo tempo.
Meu tesouro , não sei se está perto ou longe de mim, ainda continuo as minhas buscas .
Quem sabe esteja tão perto quanto estava o do Alquimista, mas sinto que preciso ” viajar muito ainda para encontrá-lo.


joana = sinapse

junho 17, 2009

me and jimmi

A vida toda tinha escrito em nebulosas.
Palavras cinzentas e versos endurecidos,
inspirados na tormenta agridoce dos dias sem dono.

O mundo para dentro,
embora fértil e excitante,
era escuro e tóxico,huge.33.165221
catártico e depressivo,
um avesso exaustivo e cancerígeno que não pretendia estimular.

Quando viu o céu azul da cor do windows
Reconheceu a esperança não fumante
das noites estreladas e sem remorso.
Decidiu,
e desejou acatar-se,
escrever uma nova história
onde as linhas fossem mais imaginação do que drama.

O coração angustiado seria gritado no banheiro
e não levado para a casa.
Os desejos virariam passos e não arquivos.

Pouparia suas palavras da responsabilidade que tinham.

Aos ouvidos surdos, que limpassem a cera
E escutassem o estalar das sinapses:
a hora e a vez do grilo falante.


carla

junho 12, 2009

Era uma criança que chegou com muita vida e vontade de viver. Fazia graça quando queria aparecer. Cresceu. Criou vícios. Aprendeu. Criou medos e vergonhas. Vergonha de ser espontânea. Medo de errar. Evitava fazer, para não errar. Esqueceu de aprender a confiar em si mesma. Seguiu crescendo e aprendendo. Não perdeu a meiguice, mas sentia-se covarde diante dos outros. Críticas? Socooorro! Naturalmente sabemos que toda criança um dia amadurece. A maturidade traz junto a consciência de que de nada adianta fugir como uma criança assustada, pois o motivo sempre te alcança ali, bem na próxima esquina. Era uma criança que virou mulher, uma mulher que tentava silenciar sentimentos e punha palavras no vácuo deixado por esse rastro. Em uma esquina da vida, o medo virou espelho, e ela teve que olhar, e não conseguia ver nada além de angústia. Ah! E o que é angústia? Desvendando a palavra descobriu: espaço reduzido, carência, falta, aperto de coração, aflição, sofrimento. Nossa que fantástico! Estava tudo lá! Atrás dessa grande massa dolorida ela ouviu uma criança, é ouviu no espelho! Continuou olhando, agora sem medo, e viu aquela velha criança, que esperava por ela, sábia criança, que sorriu abertamente e disse : “Finalmente você me encontrou! E a mulher, então perplexa, perguntou: Quem é você? – Eu? Eu, agora, sou você hoje , amanhã e sempre!…..


christiane = sinapse

junho 11, 2009

huge.29.145298Minha alma é água,

Água que escorre aos poucos, em gotas

Porque a dor é muita,

E se deságuo de vez,

Torno-me o mar ao qual vejo em minha frente.

Sinto este mar beijar meus pés

Assim como fazia ao caminhar com Maria,

A que me fez perceber que antes dela,

Tudo era um negro vazio.

Seus lindos olhos sorriam ao me ver

Seus louros cabelos brilhavam à luz do dia

Seus lábios eram puro mel

Sua pele exalava o perfume dos deuses

Eu a fazia verdadeiramente mulher

Minhas firmes mãos a despiam

E eu adentrava seu corpo de imperfeitas curvas

E após derramar todo o meu amor, a vestia com esmero

Agora, tudo era lembrança,

Maria me deixara

Ela se foi como o vento

Seria outro homem?

Ela dissera que não

Mas como acreditar se tudo ao nosso redor florescia?

Seria ela veneno em forma de pureza?

De sua deliciosa boca poucas palavras, “acabou”.

Em meu coração, muito sofrimento.

Todos os dias caminho à beira do mar

E revivo lentamente os momentos deste findo amor

Será que um dia voltará?

Não sei, mas a esperança ainda me habita

E enquanto isso choro, e me deságuo aos poucos

Até um dia, me juntar ao mar.


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