Mudei de idéia.
Texto quase pronto, ou melhor, no meio do caminho.
Não gostei do que estava escrevendo.
Ia demorar muito se fosse elaborar novamente.
Isto é muito comum quando me falta idéia ou quando tento enveredar por mares nunca dantes navegados.
Descarto.
Agora, resta-me pouco tempo para discorrer sobre as impressões que uma foto me provoca.
Mas vamos lá. Coragem.
Papel, ou melhor, tela em branco diante de mim e uma ligeira agonia para que surja, rapidamente, uma inspiração qualquer.
Foi hoje à tarde que decidi mudar, quando percebi que minha criação não transmitiria a emoções necessárias ao que queria dizer. Ia ficar mal acabado e superficial.
Pensei, inicialmente, em reescrevê-lo, como sempre faço com os outros, mas vi que não adiantaria
Vim, então, disposta, se possível, a abordar outro tema, mas achei melhor confessar: não deu.
A inspiração é assim. Não vem quando a gente quer.É como beijar sem vontade. Não fica bom.
Blá, blá, blá , blá, blá,blá…
E a foto?
Acho que na verdade ela não me inspirou, me incomodou.
Uma “barraca de camping” iluminada, perdida no meio da neve e no escuro.
De início, atribuí àquela imagem algumas expressões:
Isolamento, introspecção, luz interior, momento único, oásis, questionamento, silêncio, plenitude, fragilidade no caminho.
De todas essas que saltava para mim era SILÊNCIO.
Refletir sob a própria luz é o meu momento.
Então, como falar sobre o silêncio?
Calo.
Aquela imagem revelava ainda duas interpretações contraditórias, opostas:
Alento para quem está perdido ou auto-suficiência completa.
Na primeira, após caminhar por horas na escuridão, faminto, ofegante, com frio, deparar-se com uma luzinha tênue no meio do nada, não seria consolador?
Na segunda, querer isolar-se, enfrentando as adversidades do tempo, o incerto, a escassez de recursos, não significaria o mais puro arrojo e desprendimento?
Por mais que a neve nos remeta a uma sensação de paz e aconchego, aquela situação está longe de ser vivenciada desta forma. De qualquer jeito está implícito algum tipo de solidão.
O branco da neve, o branco do papel, o branco da inspiração.